Anistia Internacional vai denunciar Milei à ONU por hostilidade a jornalistas

ONG diz que as falas do presidente argentino ampliam o clima de intimidação e ameaçam a liberdade de expressão no país

Por JB INTERNACIONAL
Javier Milei Agência Brasil
Javier Milei Agência Brasil

A Anistia Internacional informou que pretende denunciar o presidente argentino Javier Milei à Organização das Nações Unidas (ONU) e à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) por hostilidade contra jornalistas. A entidade afirma que as declarações do mandatário representam uma escalada grave de agressões verbais e colocam em risco profissionais da imprensa no país.

As críticas ganharam força depois de Milei atacar repórteres que fizeram reportagens investigativas sobre seu governo. Segundo a organização, as falas não se limitam a discordar do conteúdo jornalístico, mas estimulam um clima de intimidação que pode ter efeitos concretos sobre a segurança e a liberdade de expressão.

As declarações de Milei e a reação da imprensa
Na última semana, o presidente citou nominalmente jornalistas como Hugo Alconada Mon, Carlos Pagni, Paulino Rodríguez, Natalia Volosin e Luis Novaresio, chamando-os de corruptos, mercenários da mentira e fabricantes de operações. Em discurso, afirmou ainda que os que “têm que queimar na fogueira” são os “filhos da p*”, expressão que foi duramente criticada por entidades de direitos humanos e por organizações de imprensa.

Na rede social X, Milei também alegou ter sido alvo de uma operação política e midiática destinada a prejudicar sua presidência. A postagem reforçou a acusação contra os profissionais, que passaram a ser descritos pelo presidente como subornados e responsáveis por uma conspiração golpista.

Criptogate e arquivamento do caso
A ofensiva verbal ocorreu após a Justiça argentina arquivar, na última sexta-feira (23), o caso conhecido como criptogate, relacionado a suspeitas de participação de Milei e de outras pessoas, entre elas sua irmã, Karina Milei, em um esquema de irregularidades na criação da criptomoeda $Libra. Segundo a investigação, o presidente teria usado suas redes sociais para promover o ativo virtual.

Para o juiz federal Marcelo Martínez De Giorgi, no entanto, não houve delitos. O arquivamento do processo foi seguido por uma nova onda de ataques do presidente à imprensa, o que ampliou o debate sobre liberdade de expressão e limites do discurso oficial na Argentina.

Denúncias de deterioração da liberdade de expressão
Ao justificar a representação internacional, a Anistia Internacional afirmou que as palavras de Milei aprofundam o assédio à imprensa, favorecem a autocensura e deterioram as garantias do debate democrático. A diretora-executiva da ONG na Argentina, Mariela Belski, disse que quando um presidente aponta jornalistas publicamente e usa imagens de violência, ele contribui para criar um ambiente de intimidação que pode abrir caminho para novas agressões.

A organização também citou dados do Monitoramento da Liberdade de Expressão do Fórum de Jornalismo Argentino, segundo os quais houve 278 ataques contra jornalistas em 2025, 55% a mais que em 2024. Milei aparece como autor de 119 episódios, sendo apontado como o principal agressor individual. O levantamento ainda registrou discursos estigmatizantes, ações judiciais e restrições de acesso à informação.

Repúdio de entidades jornalísticas e novo caso envolvendo brasileiro
A Federação Internacional dos Jornalistas, o Sindicato de Imprensa de Buenos Aires e outras entidades também repudiaram as declarações. As organizações afirmam que os ataques não podem ser vistos de forma isolada, pois fazem parte de um cenário de crescente deterioração das condições para o exercício do jornalismo na Argentina.

O caso ganhou ainda mais repercussão após o jornalista brasileiro Rogério Tomaz Jr. ter sido impedido de entrar no país no dia 12, ao desembarcar em Buenos Aires. As autoridades migratórias cancelaram sua residência permanente e determinaram proibição de reingresso por cinco anos. Conhecido por críticas ao governo Milei, ele cobre política argentina e produz conteúdos sobre os impactos das medidas adotadas pelo presidente. (com informações da Agência Brasil)


FONTE: JB INTERNACIONAL
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