MaKayla Boren, uma norte-americana de 25 anos, tinha acabado de ingressar na pós-graduação quando descobriu, menos de um mês depois, que estava com um tipo raro de câncer no útero, chamado sarcoma uterino. "Consultei três oncologistas diferentes, porque é um câncer ainda mais raro na minha idade. Eles realmente não sabiam o que fazer comigo", disse MaKayla ao TODAY.com.
Depois de procurar ajuda médica, a jovem, de Utah, nos Estados Unidos, encontrou um especialista que recomendou uma histerectomia, cirurgia para a retirada do útero. Antes de passar pelo procedimento, porém, precisou decidir como tentaria preservar a possibilidade de ter filhos biológicos.
"Ela me disse que, se eu quisesse ter chances de ter filhos biológicos, precisaria fazer a coleta de óvulos e criar embriões antes da histerectomia, porque não podia garantir que os meus ovários seriam preservados", contou.
MaKayla passou pela coleta de óvulos e criou embriões durante a semana de provas finais do primeiro semestre da pós-graduação. Em seguida, durante as férias de inverno, fez a cirurgia. Na ocasião, o cirurgião conseguiu preservar seus ovários.
No entanto, exames realizados após a intervenção mostraram que o câncer já estava próximo das tubas uterinas. Por isso, durante o recesso de primavera, MaKayla precisou passar por outra cirurgia, dessa vez para remover os ovários.
"Acabei de completar três anos desde o diagnóstico. A recorrência é mais provável nos primeiros dois ou três anos, então espero que, neste momento, as cirurgias tenham sido curativas", comentou.
O desejo de ser mãe
Quando decidiu preservar os óvulos, MaKayla e o marido, Jordan Boren, ainda não tinham planos de se tornar pais naquele momento. Com a retirada do útero e, posteriormente, dos ovários, a possibilidade de gestar ficou fora de alcance, mas o casal ainda tinha os embriões criados antes do tratamento.
Foi então que pessoas próximas se ofereceram para ajudar. "Algumas pessoas se ofereceram como voluntárias, mas uma coisa é dizer: 'Ah, eu faria isso por você', e outra coisa é realmente conseguir as autorizações", pontuou MaKayla.
A pessoa que decidiu levar a proposta adiante foi Jessie, mãe de Jordan. Desde que a nora recebeu o diagnóstico, ela se mostrou disposta a fazer o que estivesse ao seu alcance para ajudar o casal.
A decisão exigiu planejamento e cerca de um ano até o agendamento da transferência do embrião. Jessie engravidou na segunda tentativa do procedimento.
A gestação foi desafiadora. Jessie teve vários episódios de mal-estar até aproximadamente a metade da gravidez. Ainda assim, MaKayla destacou o cuidado da sogra com a própria saúde durante o período. "Ela cuidou muito bem da saúde e provavelmente teve uma gravidez mais saudável do que muitas das minhas amigas na faixa dos 20 anos", ressaltou.
A experiência também aproximou ainda mais as duas. "Acho que muita gente tem problemas com a sogra, mas eu não tinha nada para me preocupar. Eu e a minha sogra temos uma ótima relação. Na maioria das consultas, éramos só nós duas", disse MaKayla.
Enquanto aguardava a chegada do filho, ela também começou a induzir a lactação, processo que envolve o uso de medicamentos e estímulos físicos para preparar o corpo para produzir leite materno.
O bebê, concebido a partir de um embrião de MaKayla e Jordan e gestado por Jessie, nasceu há três meses. MaKayla, o marido, a sogra e o pai de Jordan receberam uma autorização especial para acompanhar o parto juntos. "Era algo inédito", ressaltou.
Após o nascimento, o bebê precisou passar uma semana na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal devido a alterações nos níveis de açúcar no sangue. Nesse período, MaKayla não conseguiu amamentá-lo diretamente e o seu filho acabou se acostumando com a mamadeira. A jovem continuou tentando amamentar, mas a produção de leite ficou abaixo do necessário para alimentar o filho exclusivamente com leite materno.
"É frustrante porque me esforço tanto, mas ainda preciso usar a bomba. Ele ainda recebe leite materno, mas eu só consigo produzir metade do que ele consome. De modo geral, essa jornada me ajudou a perceber que preciso simplesmente deixar de lado todas as minhas expectativas e aceitar as coisas como elas vêm", explicou.
Planos para aumentar a família
O casal já pensa em ter mais filhos e considera recorrer novamente à gestação por substituição, em que outra pessoa gesta o embrião. No entanto, os custos são um obstáculo para os planos.
"O maior obstáculo são as barreiras financeiras, mas acabei de me inscrever para uma bolsa que pode ajudar nos custos da barriga de aluguel. Teremos uma resposta em dezembro", contou MaKayla.
Enquanto aguarda uma resposta, a família continua encontrando apoio na fé, que, segundo MaKayla, foi fundamental para enfrentar os desafios desde o diagnóstico.
"A fé é tudo para mim e para minha sogra. Agora, temos nosso filho, esse pequeno e lindo milagre", afirmou.