25/01/2024 às 17h29min - Atualizada em 25/01/2024 às 17h29min

Planos de fuga, rivotril para dormir e noites insones: o drama de famílias de Maceió no Intercept

Algumas pessoas dormem na porta, com medo de desabamentos, outras guardam documentos e itens essenciais em uma mala que fica em local de fácil acesso, para casos de fuga

Por Blog do Edivaldo Júnior
Foto: Reprodução

Reportagem no The Intercept Brasil, publicada nesta quarta-feira(24/1), assinada por Nayara Felizardo, revela o drama de famílias de Maceió que ainda vivem na área de risco da mineração de sal-gema da Braskem.

Algumas pessoas dormem na porta, com medo de desabamentos, outras guardam documentos e itens essenciais em uma mala que fica em local de fácil acesso, para casos de fuga. Todas vivem em casas que dão sinais de o pior está por vir.

Veja o resumo da reportagem:

Desastre em Maceió: The Intercept Brasil relata os problemas enfrentados pelos moradores dos Flexais, uma região periférica da cidade, que sofrem com o afundamento do solo provocado pela mineração de sal-gema da Braskem.

Isolamento: a reportagem mostra que as casas dos Flexais estão rachando, o piso está cedendo e buracos aparecem com frequência. Além disso, os moradores estão em completo isolamento, sem acesso a serviços e equipamentos públicos básicos.

Indenização x acordo bilionário: The Intercept denuncia que a Braskem e a prefeitura de Maceió não reconhecem que os Flexais estão em área de risco e oferecem uma indenização de R$ 25 mil por família (decisão recente da Justiça reduziu o valor para R$ 12,5 mil), enquanto a prefeitura recebeu R$ 1,7 bilhão da empresa e não destinou nenhuma parte dos recursos para os moradores.

Apelo por justiça: Estudos e recomendações, segundo The Intercept, apontam a necessidade de realocação dos moradores dos Flexais e a violação de seus direitos humanos. A página também traz os depoimentos e os sentimentos de medo e abandono das vítimas da Braskem.

Leia a reportagem:

ABANDONADOS EM ÁREA DE RISCO, MORADORES USAM RIVOTRIL E DORMEM PERTO DA PORTA COM MEDO DE DESABAMENTO EM MACEIÓ

“ISSO AQUI É UMA MALA com todos os documentos da família. Na hora que precisar correr, é a primeira coisa que a gente vai puxar”. A fala revela a estratégia de Joselma Evaristo Valério, caso sua casa venha a desabar por causa do afundamento do solo provocado pela mineração de salgema da Braskem. Ela vive há 29 anos na comunidade dos Flexais, periferia do bairro Bebedouro, em Maceió.

Morando na mesma região desde que nasceu, há 60 anos, o plano de fuga de Maria Cleide de Oliveira Santos foi botar as camas na sala, para que a família durma perto da porta.

Joselma e Maria Cleide estão entre os 3,2 mil moradores das comunidades Flexal de Cima, Flexal de Baixo e Quebradas. Eles convivem com o medo constante de as casas desabarem sobre suas cabeças.

Os imóveis na região estão rachando, o piso está cedendo e buracos aparecem com frequência nos quintais e nas ruas. Os problemas são os mesmos que motivaram a desocupação dos bairros Pinheiro, Mutange, Bom Parto, Farol e parte do Bebedouro a partir de 2019, quando o desastre ambiental foi confirmado como resultado das ações da Braskem.

Diferentemente do que aconteceu nesses cinco bairros, contudo, a Braskem e a Defesa Civil Municipal de Maceió não reconhecem que as comunidades periféricas estão em área de risco. Portanto, os moradores não foram incluídos no Programa de Compensação Financeira da empresa e nem tiveram direito à realocação.

Leia aqui a reportagem na íntegra:

https://www.intercept.com.br/2024/01/24/maceio-familias-abandonadas-area-de-risco-criam-estrategias-de-fuga-apos-desastre-braskem/

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