A determinação do ministro Alexandre de Moraes para que Jair Bolsonaro comece a cumprir a pena de 27 anos e 3 meses de prisão não é apenas um passo jurídico é o desfecho inevitável de um governo marcado por confrontos institucionais, ataques à democracia e uma constante tentativa de distorcer o papel das instituições brasileiras.
Ao deixar que o processo transitasse em julgado sem apresentar novos recursos, a própria defesa do ex-presidente reconheceu o que o país já vinha assistindo há meses: o cerco jurídico se fechou, e não há mais espaço para manobras. Agora, inicia-se a fase de execução penal, e Bolsonaro deve seguir para o regime inicial fechado, na Superintendência da Polícia Federal.
A insistência da defesa em buscar prisão domiciliar, alegando motivos de saúde, soa menos como preocupação humanitária e mais como a repetição de uma estratégia já conhecida: evitar enfrentar as consequências dos atos praticados. Durante anos, Bolsonaro apostou na instabilidade, incentivou crises políticas e testou os limites da democracia. Agora, colhe o resultado.
O ex-presidente tenta se apresentar como vítima, mas foi justamente sob sua liderança que o país viveu alguns dos episódios mais tensos desde a redemocratização. De ataques públicos ao STF a discursos inflamados contra o sistema eleitoral, Bolsonaro sempre jogou contra as regras do próprio cargo que ocupava.
Com a condenação, o Brasil assiste a um marco histórico e necessário. A democracia não se sustenta quando seus líderes acreditam estar acima da lei. O encarceramento de um ex-presidente não é motivo de celebração, mas uma demonstração clara de que o Estado de Direito funciona, mesmo diante de pressões políticas e narrativas conspiratórias.
Agora, resta observar se os próximos passos da defesa serão pautados por responsabilidade ou pela velha tática de tentar transformar um condenado em mártir. A sociedade brasileira, cansada de crises artificiais e confrontos permanentes, parece cada vez menos disposta a embarcar em fantasias golpistas.