Histórico: Maceió sedia o primeiro Casamento Coletivo no Candomblé do Brasil
Liderado pelo Babalaô Manoel do Xoroquê, evento em Alagoas quebra barreiras e entra para a história como o primeiro registro oficial de união coletiva sob os ritos da tradição iorubá no país
Foto: Reprodução
MACEIÓ – O solo sagrado de Maceió se prepara para um evento que promete ser o maior símbolo de inclusão religiosa da década. Em agosto de 2026, o Babalaô Manoel do Xoroquê conduzirá o primeiro casamento coletivo do Brasil realizado dentro dos ritos do Candomblé a integrar, em uma mesma celebração, casais de todas as orientações sexuais e identidades de gênero.
O anúncio marca um avanço histórico para as comunidades de matriz africana. Ao unir casais heterossexuais e LGBTQIA+ sob as bênçãos dos Orixás, o evento rompe com o conservadorismo e reafirma o terreiro como um espaço de acolhimento e celebração da vida em todas as suas formas.
Diversidade sob o Manto da Ancestralidade
Diferente de outras cerimônias que ocorrem separadamente, a proposta de Manoel do Xoroquê para 2026 é a unificação. No mesmo Xirê (roda), o sagrado masculino e feminino se encontrarão com as diversas expressões da afetividade contemporânea.
"No Candomblé, cultuamos as forças da natureza. E a natureza é diversa, é mutável e é, acima de tudo, livre. Orixá não julga o amor, Orixá abençoa a verdade de cada coração. Este casamento em 2026 será a prova viva de que nossa fé é progressista e acolhedora", afirma o Babalaô.
Um Ato Político e Espiritual
A realização deste evento em agosto de 2026 não é por acaso. O mês, que carrega forte simbolismo de cura e renovação na tradição iorubá, servirá de palco para este manifesto contra a intolerância e a LGBTfobia. Ao oficializar uniões homoafetivas e heteroafetivas simultaneamente, o Candomblé de Alagoas se posiciona na vanguarda dos direitos civis e espirituais no Brasil.
Os destaques da cerimônia de 2026 incluirão:
• Igualdade Ritual: Todos os casais, independente do gênero, receberão os mesmos ritos de passagem, banhos de ervas e as bênçãos dos ancestrais.
• Quebra de Paradigmas: A união simboliza a resistência contra dogmas que historicamente excluíram a comunidade LGBT de espaços sagrados.
O Legado para as Futuras Gerações
Sob a liderança do Babalaô Manoel do Xoroquê, cerimônia inédita reafirmará que o Axé não conhece fronteiras de gênero, unindo casais heterossexuais e LGBTQIA+ em um ato de amor e diversidade casamento coletivo pan-afetivo será mais do que uma festa; será um documento histórico. Em um país que ainda luta contra altos índices de violência contra a população LGBTQIA+ e contra terreiros, a iniciativa de Manoel do Xoroquê em 2026 propõe um novo caminho: o caminho onde o sagrado e o humano caminham de mãos dadas, sem preconceitos.
Para os casais que dirão "Sim" em agosto de 2026, a marcha não será apenas para o altar, mas para um futuro onde toda forma de amor é sagrada perante os homens e perante os Deuses.