Lira tenta enfraquecer chapa de JHC e acende pavio da guerra eleitoral em Alagoas
Nada de parceria, nada de construção conjunta. O que existe é um projeto pessoal do deputado: salvar o próprio reinado.
O plano ambicioso de Lira
Por Matheus Klinger – Especial para o DDD82
A política alagoana voltou a pulsar no ritmo que o povo reconhece: intensa, imprevisível, carregada de interesses e, agora, com um ingrediente novo no tempero. O ex-presidente da Câmara, Arthur Lira, não quer apenas manter poder. Ele quer a hegemonia absoluta nas urnas de 2026, começando por asfixiar a chapa federal do prefeito João Henrique Caldas, o JHC.
O movimento mais recente deixou tudo escancarado. Gunnar, liderança influente da Assembleia de Deus, desembarcou no PP de Lira. Era um recado direto ao prefeito: a força eleitoral da fé agora reza em outra cartilha. A reação de JHC veio em tempo recorde, com a agilidade de quem já aprendeu que, na política, hesitar significa perder espaço. Resultado: 57 exonerações de uma só vez. Foi o suficiente para estremecer as estruturas de quem ainda acreditava numa convivência pacífica entre prefeito e ex-presidente da Câmara.
JHC sentiu o golpe como traição pessoal. Gunnar era esperado na chapa do PL para a disputa de federal. Tiraram uma peça essencial do seu tabuleiro e, pior, reforçaram o inimigo.
A matemática que mete medo
A federação PP + União Brasil tem hoje uma bancada robusta: Lira, Max Beltrão, Fábio Costa, Daniel Barbosa e Alfredo Gaspar. Cinco nomes de peso. Só que a conta de 2026 é cruel. Para reeleger quatro, são necessários mais de 600 mil votos. Para manter cinco, o número sobe para 800 mil votos. Meio Estado votando neles.
Sem a soma da máquina municipal de Maceió, sem Gunnar e sem apoio da juventude urbana que JHC mobiliza nas redes, a conta pode não fechar. E se a conta não fecha para Lira, o poder encolhe. Simples assim.
Renan avisou
O senador Renan Calheiros já tinha confidenciado a aliados que essa relação não duraria muito. Ele falava em “divórcio anunciado” entre JHC e Lira. Agora, o rompimento virou manchete. O MDB observa tudo com o pragmatismo de quem já foi mestre no jogo e enxerga longe.
Alguns já dizem que Lira se acostumou a jogar como dono do tabuleiro e esqueceu que o prefeito de Maceió não é mais um iniciante buscando espaço. JHC cresceu, ganhou musculatura política e, hoje, tem voto próprio e narrativa própria.
É guerra. E ninguém quer perder
O que está em curso não é apenas um desentendimento momentâneo. É a batalha por quem decide o futuro político de Alagoas. De um lado, a força da máquina federal. Do outro, o prefeito-pop celebridade, que arrasta multidões nas redes sociais e nas ruas.
O pirão de Lira primeiro
Na política alagoana, a regra é simples como prato de feira: cada um cuida do seu pirão primeiro. Só falta ver boi voar para quem ainda acredita em compadrio eterno. O episódio mais recente escancarou essa verdade.
Quem não estiver comigo está contra mim
JHC adotou um novo estilo. Zero paciência com quem brinca de ser aliado até tocar o sino do culto eleitoral. Mesaque Padilha, deputado que também embarcou na jogada para beneficiar Gunnar, entrou no pacote da retaliação.
O golpe foi tão certeiro que alguns caldistas tremeram. Lira sentiu o baque. O tabuleiro virou. Os Caldas não querem repetir o que aconteceu em 2022 quando o irmão de JHC ficou sem mandato apesar da alta votação nas urnas.
Renan Calheiros, em sua análise fria, já vinha dizendo que não há futuro na relação entre o prefeito e o deputado federal. Parece que o emedebista pode estar certo mais uma vez.
Lira quer enfraquecer JHC.
JHC quer libertar-se da coleira do PP.
Renan observa e prepara seu lance.
Gunnar virou munição nesse tiroteio político.
O cenário está montado.
As máscaras caíram.
A eleição começou antes do previsto.
Quem subestimar essa guerra vai acabar como os 57 exonerados: fora do jogo sem direito a recurso.